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Wednesday, June 22, 2011

No dia em que eu morrer

No dia em que eu morrer os meus amigos juntar-se-ão ao ar livre num campo verde, ao pé de um lago. Uns relembrar-se-ão do momento em que me conheceram e recordar-se-ão de como me odiaram e me acharam uma besta. Ocorrer-lhes-á então o meu primeiro acto que os levou de mudar opinião em relação a mim. Outros pensarão apenas em como instantaneamente os cativei. Continuarão a lembrar-se de como nos tornamos amigos. Vir-lhes-á à memória o que fizemos e deixamos de fazer um pelo outro. Prosseguirão a rir das nossas aventuras e das parvoíces mais idiotas que levei avante. Vão pensar nas aflições que ultrapassamos juntos e nas tristezas que superamos com o apoio um do outro. Contarão novamente as nossas histórias lendárias que foram passando de boca em boca ao longo dos anos. Falarão das peripécias mais embaraçosas e das façanhas mais inusitadas. Os jogos, os desafios, as conversas, as noites e os dias. Emergirão também os gestos mais bonitos e ternurentos assim como os momentos mais simples e comuns que faziam os nossos dias e que deixarão inevitavelmente de acontecer. E, pela primeira vez, sem saberem se por hábito ou por homenagem, vão todos começar a cantar canções com as palavras que acabaram de ser ditas, tal como eu tinha a mania de fazer. Vão sorrir, vão chorar, vão rir… vão recordar. E se ao início não sabiam como começar a minha despedida, agora vêem-se obrigados a dizer apenas adeus. 

Não haverá funeral, nem haverá missa. Não haverá vigília, nem procissão. Não haverá roupas pretas, nem cânticos pré-ensaiados. Não haverá espectáculo, nem audiência. 

No dia em que eu morrer, os meus amigos guardarão tudo o que tenho de bom. Saberão porque a nossa amizade nasceu, vingou e resistiu. 

No final levarão consigo a única recordação que importa: a saudade, aquela que carrega consigo todas as boas memórias de nós, aquela que se manifesta na dor da ausência.

Friday, December 31, 2010

O Maldito Código Silencioso das Relações

Alerto, desde já, que este é uma daqueles posts de diário que surgem da necessidade de extravasar o que não pode ser dito e não devia, de modo algum, ser escrito para publicação na blogosfera. Mas escrevemos à mesma porque não o podemos dizer e acumular informação inútil provoca gases e conter pensamentos maléficos causa úlceras.
E não podemos transmitir estes pensamentos porque assim o diz o Maldito Código Silencioso das Relações. Existe a honra entre ladrões, a deontologia entre os profissionais, a solidariedade masculina, a muito pouco praticada (quase mítica) solidariedade feminina, os bons modos e, provavelmente, muitos outros códigos que desconheço ou que, de momento, não me apetece recordar. Entre eles encontra-se o Maldito Código Silencioso das Relações. Denominei-o assim porque ele é conhecido mas ninguém admite a sua existência. Não se fala claramente nele e tanto nos protege como nos atrapalha e nos arruína o juizinho. Trata-se de todas as regras passadas de pais para filhos, de irmãos mais velhos para irmãos mais novos, de amigos para amigos, de amigas para amigas sobre o que fazer e, especialmente, o que não fazer quando encontramos o homem/mulher dos nossos sonhos e ele/ela é uma caixa de Pandora que queremos abrir mas não podemos. Não podemos porque assim manda o código.

Então, não lhe podemos perguntar o que foi aquilo naquela noite porque ele pode ter um colapso.
Não lhe podemos dizer que gostamos dele porque vamos assustá-lo e quando dermos por ela já fugiu para França.
Não podemos ficar feitas parvas a olhar para ele, só porque que sim (embora nos apeteça) porque dá nas vistas.
Não podemos mandar sms, porque a bola está agora no campo dele.
Não podemos não mandar porque somos esquecidas.
Não podemos ficar caladinhas para não dizer asneiras porque passamos por antipáticas e ocas.
Não podemos falar porque são muitos filtros a trabalhar ao mesmo tempo no cérebro e um deles vai, de certeza, falhar.
Não podemos ter uma conversa normal e civilizada para tirar dúvidas porque ou não vamos gostar das respostas, ou não vamos ter respostas ou vamos dar-lhe um enfarte do miocárdio.

Pois é, não está fácil… E as minhas perguntas são tão simples… Ainda não as fiz porque o código não deixa. Por isso e porque tenho cá um feeling que não vou gostar das respostas…
Olhem, love sucks!

Love Actually (2003)

O Não Balanço de 2010

Recuso-me a fazer um extenso balanço pessoal a 2010.
Foi um ano tenebroso que deixou muitas saudades de 2009, em que tudo foi mais fácil, mais fácil talvez não, mas diferente, mais motivador e menos complicado.

Em noites como a de hoje escolho guardar de 2010 os amigos. Eles são, no fundo, a família que escolhemos e o melhor que a vida tem para nos dar.

Os amigos que nos levam a Barcelona, os amigos que cozinham para nós, os amigos que nos dão guarida, os amigos que nos dão boleias, os amigos que jogam connosco às cartas, os amigos que passam horas ao telemóvel a ouvir-nos dizer alarvices do mais elevado grau de insanidade até a Yorn dizer: ”já chega” e depois mais um bocadinho, os amigos que nos dão roupa que já não lhes serve, os amigos que nos consertam o nosso Toni, os amigos que nos oferecem emprego, os amigos que vêm de longe só para nos ver, os amigos que ligam de longe só para nos ouvir… Os essenciais, os que nos acompanharam em 2010, fizesse chuva ou sol… e acreditem choveu como o raio que o parta…

Os amigos que nos conhecem e nos amam exactamente como somos.

Wednesday, November 28, 2007

Mistérios

Alguém é capaz de me explicar...

... por que é que os jogadores de futebol reclamam sempre que o árbitro marca uma falta ou decide sacar do cartão amarelo ou do cartão vermelho?
Nunca vi nenhum árbitro dizer:
“Ai se não estás de acordo então, se calhar, já não é penalti. Desculpa lá. Foi só pa aparecer na televisão.”

Mas queixarem-se alguma vez mudou alguma coisa?
Não sei, mas isso também sou eu que não percebo nada de futebol.


Alguém é capaz de me explicar...

... por que é que os condutores apitam nas filas de trânsito?
Se é pela musiquinha das buzinas liguem o rádio.
Se não têm rádio fechem as janelas do automóvel e abanem o capacete para as pessoas pensarem que vocês têm rádio.
É que é verdadeiramente triste não ter rádio.

Não percebo... alguma vez apitar no trânsito mudou alguma coisa?
Já alguém conseguiu passar por cima?

Vai-se a ver...


Alguém é capaz de me explicar...

... como é que há uma árvore gigante, com 2,4 milhões de microlâmpadas multicoloridas a apagar e a acender, a tapar a Câmara Municipal do Porto mas não há um único caixote do lixo desde a Livraria Lello e Irmão até ao final da Rua dos Clérigos?


Alguém é capaz de me explicar...

... o que é que aconteceu ao telejornal da SIC?
Para onde foi o pivot?
De onde é que apareceram aqueles dois, que antes eram jornalistas, mas agora estão lá para comentar as notícias?
(Possivelmente, retomarei este assunto com toda a revolta que me é característica num post acompanhado de mais tempo)

Saturday, October 27, 2007

A Pensar no Futuro

Estava aqui a meditar e deparei-me com uma pequena inconsistência...

Quem segue Jornalismo é jornalista.
Quem segue Assessoria é assessor.
E quem segue Multimédia é o quê?

Sunday, September 23, 2007

Teoria das Duas Torradas

Hoje quero falar-vos de um assunto que, para mim, é da máxima importância.
Algo que me inflige um prurido intelectual de grau 3.
Este tema fez-me desenvolver uma das minhas muitas teorias, a Teoria das Duas Torradas, que hoje partilho convosco.

Quando vamos a um café e queremos pão de forma com manteiga pedimos meia torrada ou uma torrada.
O que raio é meia torrada?
Meia côdea com meio miolo?
Porque isso é que é meio para mim.
Meio, metade de um.
A meia parte de um todo.
Ora vejamos...
Uma fatia de pão é meia torrada e duas fatias de pão são uma torrada.
Quem é que inventou isto?
(Deve ter sido o mesmo senhor que inventou Bolonha.)

Uma tosta é uma tosta mas uma torrada é meia torrada.
E não me venham com a treta de que um pão tem duas metades.
Meia torrada, não é meio pão torrado. São duas coisas diferentes.
Se quisermos um pão com manteiga, mesmo que torrado não pedimos torradas, pedimos um pão com manteiga.
Torrada é por definição pão de forma da mesma forma que um croissant é por definição um croissant.
Por isso, cá para mim e, segunda a lógica, uma fatia é uma torrada e duas fatias são duas torradas!
Isto para mim é claro como a água mas, pelos vistos, para o resto do mundo não.
O resto do mundo também não direi.
Não sei como é na Arábia Saudita, talvez lá duas torradas sejam duas torradas.
Ou se calhar lá não fazem torradas.
Quem é que se lembrou de dizer:
“Queria uma meia de leite e meia torrada se faz favor”?
A meia de leite já percebo.
Meia parte de leite, meia parte de café.
Está certo.
Agora meia torrada?
Que é isso meia torrada?
E um tipo pede uma torrada e trazem-lhe duas torradas?
Não foi isso que eu pedi!
Eu só queria uma!
Se em casa se virarem para vocês e pedirem para torrar uma torrada na torradeira vocês também colocam duas fatias?
Não.
Colocam só uma.
Colocam duas?
Então são uns totós de uns conformistas!

Amanha vou sozinha a um café e vou pedir três torradas.
Que acham que acontece?
a) Ficam a olhar para mim com quem pensa: ela vai comer aquilo tudo?
b)Trazem-me seis fatias de pão de forma com manteiga
c)Trazem-me três fatias.
d)Perguntam-me se eu sou de cá
e)Esclarecem que eu estou na realidade a pedir seis torradas

Esta é a minha Teoria das Duas Torradas.
E agora vou comer que esta conversa toda sobre torradas e meias de leite abriu-me o apetite.

Saturday, September 22, 2007

O Apelo

Este apelo chegou-me por E-mail.
É muito profundo...
Espero que conquiste os vossos corações como conquistou o meu.

"Salvem a Terra, é o único planeta com chocolate!"

Friday, July 13, 2007

Decisões em Campo de Batalha



Nós somos as escolhas que fazemos e definimo-nos por aquilo em que acreditamos.
A vida não é dia sim, dia não, já o cantava Mafalda Veiga há uns anos.
É feita de pequenos instantes e decisões que mudam o rumo das nossas histórias.
E devo-vos dizer uma coisa…
isso não é poético nem profundo ou maravilhoso.
Não é a beleza de estar vivo, esta coisa de sermos responsáveis pelo nosso destino e termos de travar as nossas batalhas.
De nos estamparmos contra os postes para que depois alguém nos levante.
É duro, é difícil.
Falhar não nos torna mais fortes nem nos ensina nada a não ser o sabor amargo do fracasso.
Vai deixando cicatrizes até que um dia estamos tão marcados que já não sabemos sair à rua.
E cansa.
Viver cansa como nenhuma outra coisa.
Também já escrevia Fernando Pessoa que a vida é um profundíssimo cansaço.
Tinha razão.
Os loucos raramente se enganam.

A vida é um campo de batalha e por isso há sempre quem ganha e quem perde.
Muitas vezes perdemos sem saber exactamente quem venceu...
resta-nos acreditar que somos nós, aqueles que ganham mesmo quando perdem.
Que mais à frente no caminho teremos uma pequena compensação.

Agora, quantas vezes é que temos de falhar até sermos felizes?